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domingo, 12 de junho de 2011

Feliz Dia dos Namorados, Minha Pet Hope

 

Meu dia dos namorados com minha Pet Hope começou bem nesta madrugada, com muito amor, sessão BDSM e sexo extremamente prazeiroso pra ambos, com direito com ela jorrar na ejaculação feminina.
Mas durante o dia nos desentendemos um pouco, isso é normal, mas devo confessar aqui que a culpa foi minha, deixei a Hope realmente irritada, por incompreensão de seus sentimentos, da saudade da falta de seus pais, um ano da morte de sua mãe, aniversário de seu também falecido pai.
Este post é mais uma declaração de amor a Hope e um pedido de desculpas pela minha insensibilidade.
Hope, minha pet, minha sub e meu grande amor, foi conhecendo você melhor, deixando que entrasse em minha vida, que conhecesse meu coração que da simples submissão chegamos ao BDSM 24X7.
Temos hoje um relacionamento de confiança, amizade e amor. Passamos por muitas situações que poderiam nos desunir, mas assim como o aço, quanto mais quente e batido, mais resistente e unido se torna nossa relação, cada vez melhor, mais madura e firme. Sou como o martelo de Thor, bato, e volto sempre a suas mãos.
Estamos juntos 24X7, mas o que não cai na rotina é o namoro gostoso, o carinho que sabemos dar, o ombro sempre amigo. berçinho pra dormir e as discussõezinhas que só vem para nos unir, pois acabamos um nos braços do outro.Teremos muito tempo ainda para desfrutar um da presença do outro, para ficarmos cada vez mais apaixonados,e os dias se encarregaram de nos unir cada vez mais. Pra minha amada, os melhores desejos de um dia muito feliz ao meu lado, com direito a todo carinho que este dia proporciona.Um Dia dos Namorados com sabor de nós dois!!! 
Me perdoa pelas minha mancadas, a vida é doce, me perdoa!
Para minha amada {MS_hope}
Por hoje é só!
Que o GADU esteja com vocês
.'.HERR THOR.'.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Para Amar Uma Mulher

PARA AMAR UMA MULHER Rosa vermelha

Para amar uma mulher é preciso saber escutar cada sorriso.
Sejam abertos ou fechados, ou apenas prenunciados.
Numa pluralidade, o valor singular.
Em seu disfarce ou sinceridade, a forma da mulher se expressar.
Quando um “não” é dito como “sim”…
Para amar uma mulher é assim: sinta cada fio do seu cabelo.
Fronteira entre a força e a delicadeza
No toque macio, enxergar a aspereza as dores que ela guarda dentro do peito
E querer saná-las de qualquer modo, custe o que custar, de qualquer jeito.
Para amar uma mulher faça dela o primeiro plano, tua estrela.
Entre o universo de amigos, aquele futebol, a televisão domingueira, escolher ficar com ela, surpreendê-la.
Até assumir um estilo romântico, Shakespeareano…
Sussurrar que a amará por duzentos anos, a toda hora, a vida inteira.
Porque só um poeta e uma mulher sabem o poder das palavras…
Para amar uma mulher ainda que não a entendas, aceita-a.
E a deita em teu colo no desespero.
Daquele choro sem motivo, em exagero.
E elogia aquele batom que te convida.
Daquele sem finalidade, em despedida…
Perdoa suas fraquezas, seu lado enciumado.
Compreenda que neste campo minado, se a pisares, ela explodirá.
Para amar uma mulher, não é preciso esperar…
Ela já te espera, sabe que existes.
Aceita esta poesia-palpite de um homem que ama, apaixonado.
Que para amar uma mulher, basta fazer com que ela se sinta amada.

Para minha amada {tigerin_hope}
Por hoje é só!
Que o GADU esteja com vocês
.'.HERR THOR.'.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pet Dormindo!

Um momento de contemplação!
Linda! E MINHA!

Que o Gadu esteja com vocês!
.'.Herr Thor.'.


Desarrumadamente Linda!


Meus amigos leitores!
Essa vida de BDSM 24x7 é uma novidade e tanto para mim!
Não vim reclamar, não!
Pelo contrário, vim contar! E RECOMENDAR!
Todo mundo sabe que não trato a {tigerin_hope} como escrava, trato-a com serva, já que a escolha de me servir foi dela... portanto EU fui escolhido!
É estranha a situação, pois nas minhas outras vivências sempre fui eu quem escolhi minhas cadelas! E dessa vez foi tudo diferente desde o começo.
Eu não tinha que ter um primeiro tempo de "negociação" que usamos para conhecer o caráter daquela que carregará nosso nome e zelará por ele! Eu já conhecia a {hope} desde menina, olhei a distância sua criação, conhecia seus pais e sabia de suas limitações, por isso a "negociação" foi rápida.
Outra coisa diferente foi a nossa 1° viagem... passei bastante tempo com ela como mulher, fora das 4 paredes, mas passei por várias sessões também naquele final de semana, então quando ela disse que não queria ser "my first girl", mas "my only girl", por incrível que possa parecer... nem titubeei. Aceitei tal condição para te-la comigo! E não me arrependo!


Quando o acidente aconteceu, me machuquei bastante, me senti mal, fiquei desorientado por causa da capotagem e por tudo que tinha acontecido... e ela me ligou. Quando contei o que tinha acontecido, ela foi direto para o hospital, deu entrada na papelada, negociou a cirurgia, chamou o convênio e apertou até sair sangue e ela conseguir o que ela queria.
Um especialista em mãos, que viria de outro hospital para fazer a cirurgia, garantindo que a cirurgia seria feita com o Melhor! Ficou o tempo todo ao meu lado, desde que chegou, até a entrada na cirurgia, conversando, me dando forças, mantendo-me calmo... e acho que mantendo ela própria calma. Pois ela estava num limite nervoso que já havia visto muitas vezes quando ela lidava com os pais dela, ou com as meninas, quando estes se encontravam doentes e ela tinha que assumir o controle de tudo. Mas desde que está "sozinha", esse estado nunca se repetiu! Nisso vi a preocupação dela comigo!


Mas o que é mais incrível é que qualquer que olhasse de fora diria que ela era uma "Dominatrix", pois foi assim que se comportou, organizando, mandando, lutando, sem perder as forças, sempre com uma educação primordial e "reluzente", que fez com que os funcionários do hospital a cumprimentassem durante o tempo que passei lá e até que as enfermeiras trouxessem, todas as tardes café fresco para ela, na hora que o café das enfermeiras chegava. (Ela é fanática por café!)
Ela não me decepcionou, falou com os médicos, perguntou sobre o que estava sendo feito, quais os exames, forçou fazer alguns exames de sangue para saber o meu nível de INR... só descobri depois que se trata do meu nível de coagulação e que se ele estivesse fora dos níveis, eu poderia correr risco de vida. E estava. Ela conversou com o médico para que eu recebesse vitamina K no soro para estabilizar o tal INR... e fez mais um monte de comentários e conversas com o médico, enquanto eu olhava e me embasbacava. Até que chegou ao ponto do médico perguntar se ela era médica.
E é claro que não. Mas ela acompanhou tantas cirurgias na vida dela que já sabe os riscos, conhece os termos e já sabe se livrar daqueles chavões de médico do tipo "Nós estamos fazendo o melhor, não precisa se preocupar, o paciente está nas melhores mãos, o paciente está fora de perigo, o paciente é forte, mantenham suas esperanças, as nossas expectativas são de que tudo transcorra calmamente, não se preocupe com o tempo de duração da cirurgia, etc. etc. etc.".
Ela cortava os médicos, e fazia perguntas pontuais sobre as coisas mais importantes e pontuava coisas, fazia perguntas sobre tudo, sobre a medicação, o tipo de linha que seria usado, o tipo de ponto, o tempo estimado entre isso e aquilo, se havia possibilidade de religar a parte perdida do dedo, se haveria amputação de mais alguma parte, de onde seria tirada a pele para o enxerto de pele... e tantas outras coisas, que eu me perdi na metade. Mas ela se manteve firme e forte.
Ao sair da cirurgia ela me aguardava e já tinha visitado a Assistente Social de Plantão, a Chefe das Assistentes, e até a Direção do Hospital para poder passar a 1° noite comigo, pois segundo ela, esta é uma noite primordial para a boa recuperação.
Depois do pós-operatório fui para o quarto e ela já estava lá... me fez massagem, cuidou da minha alimentação, me deu um carinho sem medidas e se manteve em vigília toda a noite, me observando, observando monitores e me mantendo estável, me ajudando nas tarefas mais incômodas, e me servindo, todo o tempo, com amor e carinho!
Naquele momento eu soube que tinha feito a escolha certa!
Na hora de sair do hospital ela sequer me perguntou... me levou direto para a casa dela, pois assim cuidaria melhor da ferida e do meu restabelecimento. Passou na minha casa só para buscar algumas roupas leves e o notebook (que graças aos céus não estava no carro). Comprou os remédios, comprou comida... bom, pra encurtar, ela pensou em tudo, planejou tudo, organizou tudo e eu não tive que fazer nada! Foi só sentar e observar!
Nunca tinha acontecido isso comigo! A situação foi sempre invertida. É sempre o Dono que pensa, organiza, e faz acontecer, e sempre fui eu que fiz "o tudo" para alguém. Dessa vez ter alguém para fazer "o tudo" para mim foi incrível! Foi como tirar férias de pensar, de agir, de planejar... só sentei e tudo veio às minha mãos! E juro! Ela lê pensamentos! ela oferece isso na hora que quero isso e oferece aquilo na hora que anseio por aquilo.
Mas ela se cansa... e muito! Tem horas que vejo as olheiras em seus lindos olhos verdes!


A vida 24x7 nunca foi minha escolha de vida... nem dela!
Ela passou a vida sendo responsável por duas meninas que eram lindas e maravilhosas, extremamente bem educadas e femininas, e quando foram para o exterior para morar com o pai e estudar, se tornaram em duas víboras! Ambas mal lembram da {hope} e só vivem do dinheiro do pai, de noitada em noitada, de balada em balada. E estudar que é bom... nada! Por isso ela sempre disse que filhos, nunca mais! E que "casamento" não era pra ela!
E quanto a mim, depois de um casamento amplamente falido... não desejava nenhuma relação mais permanente, e muito menos diária, mas dormir e acordar ao lado dela tem sido incrível! No meio da noite ela me abraça, me pergunta se estou com dor, me beija, me acaricia... pareço um solo seco do nordeste que carece de água. E ela é a água que vem me "enlameando", e estou adorando ser enlameado!
Bom, quanto aos filhos, concordo plenamente, duas já são suficientes para lhe trazer dores de cabeça.

"E os filhos se tornaram tão caros que, hoje em dia, só os pobres podem se dar ao luxo de te-los." (BERNARD SHAW)
Eu não quero filhos! E quanto ao casamento, ambos tínhamos uma certa aflição com a palavra.
Mas esse 24x7 tem sido um presente divino!

EU RECOMENDO!

E agora vocês devem estar pensando por que desarrumadamente linda?
Bom... quando você pega sua cadela na casa dela pra sessão, ela já vem linda, perfumada, gostosa, toda macia por causa dos cremes... perfeita!

"A beleza é uma coisa ótima a princípio, mas quem quer olhar para ela depois de ve-la andando nua pela casa há três dias?" (BERNARD SHAW)
A idéia é a de que se a mulher é só beleza, depois de três dias olhando para ela, cansa!
Quando você vive 24x7 com ela, principalmente quando ela está em casa, de folga, pra cuidar de você, é impossível não ver os pêlos crescerem, o cabelo despenteado, o momento em que ela está fazendo as unhas, e tantas outras coisas que a gente não nota numa relação mais distante.

"Depois de um certo grau de beleza, uma garota bonita é tão bonita quanto as outras." (F.SCOTT FITZGERALD)
É certo que se a mulher trouxer em si só beleza... você cansa! Mas quando ela traz um desejo de servidão, um carinho profundo pelo Dono, e ainda acompanha atitude, inteligência e mais uma lista enorme de coisas... a beleza fica em segundo plano.
No mínimo vocês pensam que ela deve ser um horror! Que nada! Loira, 1,75m, olhos verdes, deliciosa! Mas a questão é que ela é deliciosa não só na aparência física, mas em tudo!
E agora, nesse momento que parei para escrever este post acabei de comer um delicioso strogonoff com um arroz maravilhoso (que deu vontade de comer puro) e batata palha, acompanhado de uma Devassa gelada! Delicioso!

Olhei para ela, meio descabelada, meio suada do trabalho, meio cansada, não! Muito cansada. E achei ela deliciosamente linda! Com um sorriso nos lábios conversando comigo enquanto fazia "aviãozinho" de strogonoff para eu comer.
E não! Não estou tão mal que nem posso comer... senão também não poderia estar aqui catando milho com um dedo a menos... mas GOSTO do paparico! Alguém pode me culpar por isso?
Logicamente, na hora em que ela ver que fiz este post, bom, metade dos paparicos já eram! Mas com ela, metade dos paparicos já é muito mais e muito melhor do que jamais tive!
Ela deliciosamente se levantou, arrumou a cozinha e deitou-se aqui do meu lado, enquanto escrevo, rindo e dizendo justamente que se eu já estou bom pra postar, então também estou bom pra outras coisas... e adormeceu!

Mais uma das delícias do 24x7!
Ver sua Pet dormindo!


Bom, meus amigos leitores. 24x7 tem sido uma experiência intensa e deliciosa!
EU RECOMENDO!

Que o GADU esteja com vocês!
Herr.'.Thor

quarta-feira, 23 de março de 2011

Caminhada árdua, mas prazerosa!

Uma grande jornada sempre começa com um primeiro passo...

Várias coisas boas aconteceram comigo neste início de 2011... Ter reencontrado a Hope, começarmos a nos relacionar, o acerto de contas com o canalha do ex-marido dela, nossa primeira viagem juntos, nosso ritual de passagem ao selarmos nosso compromisso BDSM de D/s com a cerimônia de encoleramento a pouco mais de um mês.
Eu já tive várias relações BDSM, um casamento baunilha, um divórcio, mas devo dizer que estou numa idade que finalmente quero estar numa relação estável com uma mulher que tem todos os adjetivos e qualidades pra ser uma companheira para todos os momentos, na riqueza, pobreza, saúde e doença.
Ninguém é louco de dizer que manter uma relação a dois prazerosa ao longo de anos é fácil, exige muito de cada um dos lados, principalmente nas crises, são nos piores momentos que podemos testar o amor, carinho e dedicação de cada um dos lados.
Mesmo numa relação dita "normal" para o senso comum, (baunilha, pra os amantes BDSM), tem de haver mais atrativos que somente o sexo, se ele for a única coisa que aproxima o casal, o dia que ele falhar, a relação naufraga, tem de haver algo mais, e o BDSM é uma forma de se sair da rotina, sempre criando-se novas formas de prazer, com muita criatividade e renovação.
Minha pet, {tigerin_hope}_H.'.THOR, tem todas as qualidades para satisfazer um Dono de fino gosto como eu: inteligência, carinho, compreensão, obediência, enfim, aceita suas punições (mesmo quando às vezes pego mais pesado, como na brincadeira do barrigudinho) mesmo que a Hope ainda tenha alguns problemas de seu passado que ainda a atormentam, isso vai sendo resolvido ao longo do tempo.
Existem muitos Dons que são a vergonha para a verdadeira comunidade BDSM, aproveitando-se de moças inexperientes que querem se iniciar na submissão e encontram canalhas que só querem mesmo dar umas palmadas e ter sexo fácil e gratuito. Meninas, sigam os conselhos de um de meus posts anteriores, de dicas de segurança para um primeiro encontro.
Além disso, uma prova de fogo para nosso comprometimento e amor um com o outro, o gostar de ficar juntos, simplesmente curtindo um momento de pura paz, pode ser posto a prova a partir do dia 14/03/11, onde tive a infelicidade de sofrer um acidente de carro, onde nem me machuquei tanto, mas tive a ponta do meu dedo indicador direito prensado e amputado nas ferragens, não terei mais unha nesse dedo,  passei por cirurgia, estou me recuperando e convalescendo junto com a Hope, com dedicação praticamente total dela,  por isso ela diz que agora tenho 19 dedos e meio, mas continuo Dominador, só aguardando minha recuperação pra continuarmos nossas sessões, ela vai ter prazer e os castiguinhos de praxe, estou anotando no meu caderninho. 
Quantas kdelas submissas sem dono se oferecem na net, quantas cuidariam de seu Dono com a dedicação da Hope nessa situação do meu dedo amputado?  Por isso ela me basta, não troco ela por um monte de "gostosas" submissas burrinhas, poderia, mas não faz meu estilo montar uma "senzala" de sub/escravas, só consigo me dedicar plenamente a uma submissa, uma pet mais especial que todas que já me relacionei e ela já me basta, é a mulher da minha vida, uma lady socialmente e uma kdela sub excitante e criativa na cama.  
Assim, como ela já comunicou em seu blog, mesmo com um pouco de medo em ambos, sabemos que não é fácil, estamos assumindo uma relação 24x7, estou morando junto e sendo cuidado pela Hope.

Esperamos manter essa relação de prazer/dor, respeito, carinho, submissão/dominação pelo maior tempo possível.
Por hoje é só!
Que o GADU esteja com vocês!
.'.HERR THOR.'.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Viva com seus outros sentidos, não só com a Visão - Parte 2

O mito da beleza interior

“O mais profundo é a pele”
–Paul Valéry
Na adolescência, me orgulhava por dissociar beleza interna e beleza externa. Eu pensava que poderia ter nascido com qualquer rosto, que minha mente era uma coisa separada e que estava acoplada ao meu corpo por puro acaso. Eu mal prestava atenção à minha corporalidade e, por efeito, olhava os outros como tendo um corpo, não como sendo um corpo. Eu não me sentia um corpo e por isso buscava abstrações e sentimentos etéreos nos outros. “Beleza interior” era um tema recorrente, principalmente nas minhas tentativas de conquista. Nada melhor do que valorizar a beleza interior diante de uma menina absurdamente linda, não é mesmo?
Depois de muito tempo, paralelamente ao meu retorno ao corpo por meio da polirritmia, um insight veio à tona: beleza é sempre exterior. Não, eu não poderia ter outra face, outra voz ou outro jeito de andar. À medida que mudo, minha voz muda, meus traços se alteram, meus trejeitos manifestam minha mente. Experimente olhar para qualquer pessoa e perguntar: “Ela poderia ter outra voz que não essa? Outra cara que não essa?”. Quanto mais conhecemos alguém, mais respondemos com um objetivo “Não”.
Ainda que a beleza provenha de qualidades subjetivas, tal interior não só é exterior a nós como se exterioza no corpo do outro em gestos, palavras, faces e olhares. Dada uma certa configuração cognitiva e emocional (um mundo interior), não é qualquer corpo que vai surgir. É como se não houvesse sequer uma união entre corpo e mente, como se de fato nunca tivesse existido separação alguma. Um só ser que se expressa e com o qual nos relacionamos em diferentes linguagens: sons da voz, redes de pensamentos, fluxos emocionais, toques da pele, luminescências da imagem. Corpo e mente não são duas substâncias e tampouco uma. Não dois, não um.
Eis a razão para a completa integração dos cinco sentidos, como se eles fossem um só órgão perceptivo que usasse várias membranas para captar diferentes camadas de estímulos e vibrações: ouvido para som, olhos para luz e assim por diante. O filósofo Maurice Merleau-Ponty, que estudou detalhadamente o fênomeno da percepção, afirmou: “Nenhuma experiência humana se limita a um dos cinco sentidos. Os sentidos se decifram uns aos outros”.
Em nosso cotidiano, não vemos o corpo com atenção. Ignoramos a corporeidade e ultrapassamos a pele, o que é fácil. Bundas perfeitas, ombros delineados, costas que atestam virilidade, bocas que nos provocam… Cada parte do corpo é vista tal qual um objeto inerte, como se a alma estivesse em outro lugar. Mais ainda, cada parte do corpo nos leva para fora, para nosso desejo ou para a investigação da mente ali escondida: “Quem é ele?”. Justamente devido a esse equívoco, perdemos acesso ao próprio corpo e ganhamos apenas superfícies artificiais em nosso campo sensorial. Não haverá diferença entre a bunda da revista e aquela da mulher na nossa frente enquanto buscarmos pela alma em outro lugar, enquanto pensarmos que o espírito está escondido.

Ficar no nível da pele é que é raro. Não precisar tirar os olhos das pernas para ver a alma. Lembrar, a cada instante, que uma pessoa não tem um corpo, é um corpo; que a mente não fica dentro da cabeça, mas na barriga, no pescoço, mãos e tornozelos. Saber que todos estamos nus, completamente acessíveis o tempo todo. Criar relações com os poros, sem precisar ir para outro lugar. Ver a face do outro como necessária, não contingente (“não poderia ser de outro modo”), faz com que comecemos a amá-la, assim como ficamos felizes quando percebemos que nosso passado não poderia ter sido diferente, caso contrário não seríamos o que somos – experiência que Nietzsche chamou de amor fati.
Aquele que é considerado “feio” muitas vezes toma como refúgio a noção de beleza interior sem saber que ela é uma armadilha que consolida e toma como natural sua suposta falta de beleza. Ora, nada falta ao cego pois é de sua natureza não ter olhos! O feio assim nos parece porque estamos procurando algo que não é dele, como se tentássemos, sem sucesso, projetar nossos desejos de beleza em seu rosto, quando deveríamos apenas olhar e receber o que ele tem a oferecer.
As conexões humanas acontecem de acordo com nossos condicionamentos: alguns seres causam aversão em uns e apego em outros. Aquele que nos parece horroroso é desejado por outra pessoa. Um homem aborígene não é nojento em si mesmo pois se o fosse não seria procurado por uma mulher de sua comunidade para uma noite de sexo.
Sem a noção de beleza interior, a natural beleza de todas as aparências é revelada. A profunda alma do mundo está na superfície: tudo é luminoso, nítido, vivo.

A estética como cura da anestesia

“Nothing can cure the soul but the senses”
–Oscar Wilde
Em uma palestra sobre a percepção estética e sobre como nos relacionamos com as obras de arte, o crítico e professor Jorge Coli falou sobre écfrase, a atitude de “deixar a obra de arte falar”, enxergá-la e descrevê-la como ela surge, sem significações adicionais, opiniões ou o clássico “gosto / não gosto”. Segundo ele, com essa prática, a obra nos revela muito mais do que poderíamos suspeitar a princípio, e transborda significados muito mais profundos do que aqueles que rapidamente nela projetaríamos. Em vez de entrar para nossa coleção de objetos, encaixotada em nosso espaço interior, a obra de arte abre nosso corpo, expande nosso mundo.
Cada vez que Jorge Coli pronunciava “obra de arte”, eu ouvia “pessoa” (confesso que a palavra exata era “mulher”) e imaginava como seria uma relação de écfrase mútua. Na verdade, isso é bastante simples. Por generosidade, chegamos ao outro e dizemos: “Não vou sair daqui nas próximas horas, me mostre seu melhor”. Porque essa frase nunca de fato sai em palavras, ela não tem a pressão que aparenta carregar. Qualquer pessoa adora quando tem espaço para se mostrar, para exercitar suas qualidades, jogar seu charme, ter sua beleza admirada. O outro quer ser usufruído, quer se oferecer inteiro.
O que deixa bonita e irresistível cada parte do corpo do outro não são apenas seus próprios traços ou seu entorno, mas o modo como ela se oferece a nós. A boca, bonita nela mesma, fica ainda mais bonita se vista em relação ao queixo, nariz, bochechas, pescoço e os fios de cabelo que invadem os lábios; e totalmente bela quando pede por nosso toque, se abre e chama nossa própria boca.
Para liberar a beleza do outro, não basta saber olhar, ouvir, cheirar, tocar ou lamber. É preciso abrir espaço e convidá-lo a se oferecer a nós. Você se lembra da felicidade e do prazer que sentiu quando enfim conseguiu soltar suas qualidades diante de alguém? Ora, quer presente melhor do que deixar seu parceiro sentir o mesmo? Muito melhor do que oferecer é possibilitar o espaço para que o outro ofereça. Eis a generosidade insuperável: deixar que o outro seja generoso. Desse modo, ainda que ambos recebam, o foco, a energia e a felicidade estão em oferecer.
Na verdade, o que acontece por trás da generosidade é um processo de abertura e descentramento. Quando o foco está em receber, ironicamente nosso corpo se fecha e continuamos insatisfeitos – nunca conseguimos receber o suficiente. Onde não há generosidade, brota carência. No corpo que se fecha, as experiências dos cinco sentidos se empalidecem. Anestesiados, somos capazes até de matar pois quando não sentimos aumentamos o contato com o outro até o machucarmos. Por não vivenciarmos dor em nosso corpo, causamos dor aos outros.
O sintoma mais comum de um casal em crise é a anestesia mútua. Cada parceiro se torna incapaz de realmente se abrir e sentir o outro. Além disso, fica quase impossível olhar o outro em traços puros, sem que cada gesto ou olhar nos remeta a incontáveis lembranças e sensações aflitivas. A ausência de écfrase é inseparável do esquecimento da generosidade: perdemos a disposição em dar crédito, dar tempo, dar espaço, dar respeito, dar nascimento ao outro. Na falta de generosidade, nenhuma beleza é possível. Aquele ser bonito que nos atraía se transforma em um monstro que agora nos causa nojo e aversão.
Sem que precisemos analisar e reconfigurar o conteúdo da crise, sem resolver os vários problemas que causaram a apatia, podemos atacar diretamente a anestesia. Em vez de pensar ou conversar (como pode existir diálogo sem abertura?), usamos o corpo. Anestesia é falta de estesia. Simples assim. No entanto, o que sentiria um corpo doente se lhe retirassem os anestésicos? O maior impedimento à abertura é o fato de que ela inicialmente será uma abertura à dor. Fruir uma obra de arte é fácil, mas ninguém quer ter uma sensação estética da dor. Por isso, à medida que a crise piora, aumentamos a dose de morfina, sem saber que estamos nos distanciando ainda mais da solução.
Sofrer, contudo, não libera o sofrimento. Vamos sentir nossa própria dor apenas para que possamos sentir a dor do outro. De fato, elas são uma e mesma coisa. Ao focar em como liberar a dor do outro, já estamos operando com generosidade. Já estamos abertos e alegres pelas pequenas alegrias que causamos. Com esse espaço, ele novamente solta suas qualidades, seu charme. Não é por acaso que o outro volta a ficar bonito e a nos atrair. Generosidade dá tesão… Ignoramos as demandas de nosso autocentramento e simplesmente nos abrimos. Caso contrário, vamos perder muito tempo pedindo e buscando por aquilo que nossa contração nos faz desejar. Muito mais fácil se conseguirmos dissolver o autocentramento, raiz de nossos problemas.
E então, durante a crise, sem respeitar regras e coerências, empurramos o outro para baixo do chuveiro. Em meio a brigas constantes, desânimo e intolerância, nenhum dos dois toparia tomar banho juntos, assim, do nada. Mas nosso corpo, por mais que relute, deseja o toque. Com a água correndo, deixamos que a mão, não a mente, faça o trabalho. E confiamos na sabedoria natural do outro corpo para expor sua dor. De novo, o mesmo processo: ele vai soltar o que tiver e nós abraçamos o que vier. Até que a dor cesse e ele siga oferecendo sua arte, que é o que sabemos fazer melhor.
Por hoje é só!
Que o GADU esteja com vocês!
.'.HERR THOR .'.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Viva com seus outros sentidos, não só com a Visão - Parte 1

E se, em vez de pensar ou teorizar, deitássemos nosso corpo sobre a beleza e os cinco sentidos? Além de reflexão ou idéia, como seria esse toque? Melhor do que uma abordagem intelectual, que tal uma encoxada na estética dos relacionamentos?

Crítica à supremacia da visão

Vivemos imersos em uma cultura da visualidade. É o excesso do sentido da visão, mais do que qualquer outro, que define a relação de nosso corpo com o mundo. Se uma empresa quer fazer aparecer seu produto (ainda que ele seja direcionado ao nosso paladar, como um chocolate), ela prepara um comercial na TV para ser visto – não ouvido, cheirado, tocado ou degustado. Publicitários sabem que é a força da imagem que movimenta nosso desejo.
Por tal supervalorização, a visão é nosso sentido mais desenvolvido e aquele que retiraria de nós a maior porção de mundo em caso de perda. Sem qual sentido você viveria melhor? Visão ou olfato? Em qual dos cinco sentidos sua namorada é mais presente para você? Por qual sentido seu marido a ama mais? Quando você lembra de alguém, qual o sentido predominante?
Em um palestra que assisti num SESC SP, o professor Norval Baitello (doutor em comunicação e semiótica pela Universidade de Berlim) falou de outras culturas em que o sentido predominante não é a visão. Em uma delas, o cumprimento “Tudo bem com você?” significa algo assim: “Como está seu cheiro hoje?”. Para ele, visão e audição são os sentidos da distância, enquanto tato, gustação e olfato são os sentidos da proximidade, da intimidade.
De fato, para um relacionamento, cheirar é muito mais importante do que ver, pois podemos ver qualquer um, mas cheirar apenas aquele que nos é próximo. A visão não define amor algum: vemos bundas na Playboy, decotes à distância, mulheres na webcam, homens estranhos ao redor. Se a visão predomina, é porque não há relação íntima. A audição também: conversamos por telefone ou Skype, ouvimos milhares de vozes estranhas em um bar… Nossa visão e audição são preenchidas por muitos com os quais não temos quase nenhuma relação.
Com nosso parceiro amoroso, no entanto, a visão e audição perdem poder. O outro está perto demais para ser visto, silencioso demais para ser ouvido. Antes ela era um quadril perfeito, costas lindas, ombros, colo e cabelos inebriantes. Sua beleza estava nos traços. Agora, no escuro do quarto, seus limites se misturam e é precisamente isto que a faz bonita. Seu quadril não é mais visto. É tocado, cheirado, empurrado, puxado, lambido, mordido. Antes ele se destacava por estar separado, pela impositiva linguagem visual, das costas e das pernas. Agora, o quadril se desdobra e nos leva às pernas e às costas. Ele é um prolongamento do prolongamento. Antes, o corpo tinha começo e fim, dos pés à cabeça, distinto do chão e do local onde se movia. Agora, o corpo é infinito: assim que o entendemos, assim que o capturamos 100%, ele muda de posição e logo o perdemos novamente. Sua mulher se estende diagonalmente na cama, você se deita em cima, tenta envolvê-la com seu corpo e descobre que, sem a visão, é impossível tocar de uma só vez a extensão completa de seu corpo. Na verdade, nem a visão consegue isso, já que é impossível ter uma perspectiva de 360º.
No dia seguinte, ela não nos parecerá bela por imagens na memória. Sua beleza estará no cheiro dos dedos e unhas (aquele que o sabonete parece ignorar e você quer que ele continue ignorando), no relevo da língua, no gosto alterado da saliva, na lembrança de como o corpo dela deslizava pelo seu – sabe aquela aura que o outro deixa a um centímetro de nossa pele?
Se nós, como sociedade, escolhemos colocar o sentido da visão acima de todos os outros, não deveríamos reclamar da falta de profundidade e criatividade em incontáveis relacionamentos. Ora, o sentido que mais estimulamos, a capacidade que mais treinamos, é justamente aquela que usamos apenas até o ponto em que tocamos nosso parceiro, até o ponto em que a relação começa.
Mais ainda, a visão é sentido da dualidade: sujeito aqui, objeto lá; olhos de um lado, paisagem de outra. Em todos os outros, objeto e sujeito se confundem. Onde está mesmo o som dessa música? Aqui dentro ou fora? Enquanto você coloca sua mão em mim, que parte do toque é sua e que parte é minha? Com um morango ou chocolate na boca, sou capaz de saber o que é morango, chocolate, o que é língua e o que é gosto de morango e chocolate? Seu cheiro é isso que vem de você ou isso que parece que brota de dentro de mim? Na verdade, a visão também funciona de modo não-dual, mas por ela é muito mais complicado vivenciar a não-dualidade. Sua ilusão de dualidade (a sensação de que o mundo está lá fora), é tão persistente que nos leva a acreditar que a cor, por exemplo, é uma propriedade dos objetos.
A visão é também o sentido pelo qual medimos a beleza: o outro é belo ou não na medida em que sua imagem é bela. Nossa experiência estética do mundo, originalmente ampla e proporcionada por cinco vias, se restringiu de tal forma que atualmente sequer usamos nariz, pele, ouvido e língua para responder à pergunta “E aí? Bonito ele?”. Usamos apenas os olhos! Esquecemos que aquele homem que parece belo aos nossos olhos talvez nos pareça horrível pelo nariz, pele, ouvido e língua. E aquela mulher que nos excita pela visão talvez não seja aprovada por nossa pele.

Uma venda vermelha

De olhos bem fechados. Para as melhores sensações da vida, cerramos as pálpebras, puxamos o ar e abrimos os poros. Percebemos que para a beleza do amor a visão é secundária. Se pudéssemos guardar algo de nosso parceiro, escolheríamos um cheiro, toque ou gosto, não algo que pudesse estar disponível no Facebook ou no YouTube.
No meio de um bar, de olhos abertos, tudo o que você vê é um bar. De olhos fechados, pode imaginar o céu acima, a rua que leva para a casa dela, a casa dela, o perfume dela, ela sem perfume, a textura da pele, o gosto da brisa do céu acima da casa dela… De olhos fechados, você não tem só um bar, você tem o mundo.
No canto da cama, de olhos abertos, você vê a boca dela vindo até a sua, armários ao fundo, teto, luminária, paredes e um quadro. De olhos bem fechados, o quarto inteiro é a boca dela, o mundo são lábios que o envolvem por completo. Você esquece que tem pés e pernas. Você não vê uma cama em um quarto em uma cidade em um país em um planeta… De olhos fechados, só há o beijo. Eis por que o amor é cego (uma venda vermelha, mais precisamente) e não deveria ser de outra forma.
Continua…
P.S.: Se quiser contribuir para a construção de uma sociedade menos imagética, ame alguém. Você naturalmente será menos refém de sua visão e vai treinar muito mais os outros quatro sentidos. O mundo se expande e as imagens se empalidecem diante das belezas cheiradas, tocadas, degustadas e ouvidas.

Por hoje é só, amanhã tem mais!
Que o GADU esteja com vocês!
.'.HERR THOR .'.